sábado, setembro 30, 2006
Jon Brion
"Ele às vezes há filmes que nos dão música". Podia resumir com esta frase todo o conteúdo de um post.
Por vezes há filmes que nos marcam por variadíssimas razões, seja pelo tema, seja pela altura/disposição com que o vemos, ou até com a companhia que o vemos. Eternal Sunshine of the Spotless Mind é-me um desses filmes. Bateu-me bem fundo no ouvido e na parte detrás da cabeça, lá, no lugar onde nos aquecem a alma

O filme de Michel Gondry que bebe do argumento de Charlie Kaufman, vem da mesma galáxia que por exemplo um Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Se Yann Tiersen está para o filme de Jeunet de maneira simbiótica, Jon Brion também o estará para o de Gondry. Simples e pouco elaboradas em contraste com a também participação dos Polyphonic Spree ou da grande Everybody's Gotta Learn Sometimes cantada por Beck na mesma banda sonora, a música de Jon Brion sustenta e condimenta toda a riqueza visual do filme alimentando todos os estados de espírito que atravessamos ao longo da fita. Jon Brion lançou Meaningless em 2001. Um pedaço de canções que apetece.
PL 21:28
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sexta-feira, setembro 22, 2006
 Johnston: só agora tive oportunidade de ver o filme "The Devil and Daniel Johnston". Um crítico qualquer, pelo que li, disse algo sobre este ser um filme sobre um deficiente mental sem interesse nenhum (poderão não ter sido estas as palavras escolhidas mas a polpa sim). É, provavelmente, o melhor documentário biográfico que já vi. Sim. Na História contam-se muitos génios loucos mas este não é só mais um. O seu nível de insanidade é tal que é quase impossível dissociá-lo da sua vasta e absolutamente genial obra. As canções perfeitas, tanto em melodia como em poesia como em sofrimento e alegria davam para mil filmes, mil estórias, mil histórias... Maníaco-depressivo, passou por vários hospitais psiquiátricos, a sua doença, talvez não só doença, talvez um excesso, um transbordar de criatividade impossível de caber numa mente humana sã, impediu-o de ser uma grande estrela dos discos e dos palcos mas fez algo maior, tornou-o num artista sensacional para quem a arte é a única forma de não descambar num "abismo mental". Dizem que a obra artística deve ser dissociada do seu autor. Que são coisas diferentes. Não sei se é regra mas que a obra de Daniel Johnston é fruto de um cérebro brilhante jamais entendido em toda a sua totalidade por aqueles que se auto-proclamam mentalmente sãos (pretensiosismo por serem a esmagadora maioria), disso não tenho qualquer dúvida. Uma mente perigosamente genial... P.S.: "Casper the friendly ghost" - soberbo tema de Johnston que se ouve nos anúncios da Optimus e que muita gente está agora a descobrir. Uma grande opção a da boa música em publicidade.
Alexandre 18:50
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domingo, setembro 10, 2006
How many roads? Nunca fui um profundo conhecedor da extensa obra de Bob Dylan. Embora tenha sempre nutrido uma admiração pela forma como revolucionou o mundo da música. Também sei que o senhor atravessou uns anitos negros de música devota e, talvez por isso, só conheço o primeiro e o último álbuns dele. O primeiro foi a novidade há mais de 40 anos numa américa ainda em busca de uma identidade e mesmo figura que representasse a sua própria música. Modern Times, o último, é uma pedra preciosa deliciosamente esculpida pelas guitarras blues e a harmónica folk que celebrizou Dylan e abrilhantada pelas melodias suaves de onde rebenta a lírica perfeita das 10 canções. A sua voz ao longo de aproximadamente uma hora é um hino à american music actual e uma lição para aqueles que declararam já a morte (pelo menos artística) de Dylan. Modern Times prova que o brilhantismo e a reinvenção estão aí para durar na obra de Bob Dylan (se calhar não muito porque o homem já não vai para novo). 
Alexandre 22:51
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segunda-feira, setembro 04, 2006
Ecos: apesar de parecer estranho é nas alturas em que menos se faz que menos se quer fazer. Não me apeteceu escrevinhar sobre Coura 06 até hoje. Talvez porque só quem lá vai e ama a música é que sabe quanto custa esperar mais um ano. Este ano os elogios são os mesmos até porque Coura sem chuva até parece estranho e, sendo assim, os deuses lá nos fizeram a vontade e mandaram umas gotas bem gorduchas. Falando de música que, ao contrário de outros festivais, é o que mais interessa posso afirmar que Bloc Party deram o melhor concerto seguidos de perto pelos Broken Social Scene e depois por Shout Out Louds, !!!, Fischerspooner, We Are Scientists, Gang of Four, Bahaus, Yeah Yeah Yeahs, Gomez e White Rose Movement, sem nenhuma ordem específica. A desilusão relativa foi Morrissey com o seu humor sem piada nenhuma e a sua postura de "princesa" (além de ter trazido a chuva). Tem grandes músicas sim senhor mas, embora lhe custe muito admitir e enfrentar, está bem longe dos Smiths! E aquele final de concerto foi tudo menos normal! A banda espanhola Cat People ganharia mais se não colasse, quase vergonhosamente, os Interpol e os Maduros de Zé Pedro não passam de um capricho do mesmo porque, embora haja ali rock, não são nada de novo, apenas um punhado de músicas com alguma potência mas sem uma linha que as dirija para algo maior; e a voz do Zé Pedro não é propriamente uma doçura... The Cramps deram um bom espectáculo, a atitude do costume aperfeiçoada com 30 anos de carreira contudo a sua música soa sempre ao mesmo. As grandes surpresas, apenas por serem menos conhecidos foram os Shout Out Louds. Os repetentes !!! provaram uma vez mais que são a melhor banda do mundo a fazer dançar 25 mil pessoas! Quem lá não esteve e gostaria de ter estado tem sempre o fantástico youtube à mão (com as devidas limitções, é claro!): |