domingo, fevereiro 19, 20062005- o balanço das hostes metálicasEnquanto que uns saboreiam já os novos mimos de 2006, outros- como eu- esforçam-se ainda por deitar um olhar mais atento ao que de melhor se fez o ano passado. Arrisco-me a dizer que o ano transacto terá sido um dos melhores do novo século relativamente a música pesada. Nota-se agora- tal como no ano de 2004- que tanto bandas como fãs, promotores e críticos (enfim, a cena), começam a sentir necessidade de encarar o novo século como uma oportunidade de inovar musicalmente- umas vezes esbatendo fronteiras, outras vezes erguendo-as. No fundo, a evolução necessária para reciclar ou recriar qualquer género musical. Começo por apresentar aqueles que, quanto a mim, são as 5 melhores rodelas de 2005: 5-Nile "Annihilation of the Wicked" Annihilation of the Wicked pode nem ser um passo em frente na evolução dos Nile mas é mais uma dose brutal da banda que muito provavelmente lançou o melhor álbum de death metal do novo século: o anterior In Their Darkened Shrines. E quando assim é só pode ser bom. 4-Primordial "The Gathering Wilderness" ![]() Sentados sob o céu pagão no Norte da Europa, os Primordial são antes de tudo uma banda irlandesa que baseia a sua escrita na vasta mitologia pagã e celta e as adapta ao seu som. Neste álbum, os Primordial abandonam o seu lado mais pesado e levam-nos numa longa viagem pelas paisagens de uma Irlanda cinzenta (como muito bem retrata a capa do álbum), numa roupagem mais melancólica, riffs atmosféricos e acima de tudo, MUITA INTENSIDADE. A voz de A.A.Nemtheanga quase chora o sofrimento e a história de um povo que muito sangue jorrou, numa espécie de fado à irlandesa. Susceptível de agradar a qualquer melómano, este é sem dúvida um álbum que qualquer "metaleiro" ofereceria a um qualquer amigo leigo. 3-Akercocke "Words That Go Unspoken, Deeds That Go Undone" ![]() Há 3/4 anos atrás questionava-me que bandas teriam potencial para serem a next big thing do metal. A resposta que me surgiu na altura foi o nome de uma banda que praticava um black/death metal brutalíssimo e com uma produção autenticamente sufocante e refunda: os britânicos Akercocke. Havia no entanto, naquele som, algo de realmente diferente e uma- talvez escondida- vontade da banda em explorar musicalmente algo diferente. Quando nada o fazia esperar, os Akercocke deram já esse passo neste 4º trabalho de longa duração. O álbum, agora excelentemente produzido, começa devastador como qualquer um dos anteriores até que se vai tornando simplesmente MAJESTOSO! Um álbum eclético, progressivo, pesado, agressivo, brutal, devastador, psicadélico, comovente, ambiental... Words That Go Unspoken leva-nos do Inferno ao Céu numa experiência que pode muito bem marcar o rumo das gerações vindouras. Enfim, a excelência do metal extremo servido pela alta costura dos Akercocke. 2-Burst "Origo" ![]() Hoje em dia, poucas são as bandas que nos surpreendem à primeira audição, mas estes suecos ganham indescutivelmente o prémio de revelação do ano. Com um passado ligado às sonoridades core, os Burst juntam num álbum, 9 canções que além de viciantes, são ainda difíceis de caracterizar. Metalcore progressivo será pouco para caracterizar um álbum que merece estar aqui, tanto como tem estado no meu leitor de cd ou ao receber o Grammy sueco do metal, batendo os compatriotas Opeth ou Candlemass. Recheado de pormenores deliciosos e maiores que a vida, é um álbum essencialmente com canções como The Immateria ou Flight's End que apetecem ouvir vezes sem conta. Origo é um mimo para qualquer melómano. Casa da Música já! 1-Opeth "Ghost Reveries" ![]() A atribuição de melhor álbum do ano é aqui indiscutível. Primeiro, os Opeth são sem dúvida alguma, a melhor e mais consensual banda de metal do mundo. E digo isto sem exagero; digo-o em termos criativos, em termos técnicos, em termos de terem um passado e serem o futuro. Os Opeth são um caso raro de banda extrema que reúne fãs de black/death metal e ainda fãs de bandas como Tool, Radiohead, A Perfect Circle, e fãs de música progressiva. O quinteto liderado pelo incrível Mikael Akerfeldt, conta agora com o teclista Per Wiberg nas suas fileiras, e eleva o seu nome ao patamar das bandas mais influentes de sempre da música alternativa. Imaginem uns Opeth temperados com especiarias, a fazer umas jams sentados em tapetes orientais e a ouvir rock psicadélico dos anos 70 (aquele com mellotrons). Aí tem Ghost Reveries, o melhor álbum de 2005! Podem ouvir qualquer uma destas bandas, carregando nos links acima. Não posso também deixar de referir que o melhor álbum nacional foi "Fellatrix Discordia Pantokrator" dos Filii Nigrantium Infernalium que, numa atitude muito Motorhead e muito punk/heavy metal, conseguem ser uma lufada de ar fresco no black metal cantado em português e pela Grande Grande "puta infernaaaaaaaal", Belathauzer. Aclamado com 8 na Terrorizer!!! Melhor concerto do ano: Cult of Luna na Casa da Música, algures em Setembro passado. Analisado algures aqui no blog, os Cult of Luna deram um concerto que arrepia. Abril de 2006 trará o novo álbum... e Nile também; tinha de escolher dois! E assim justiça seja feita, que 2005 descanse em paz e que as passas comidas, nos tragam um ano recheado de orgasmos e lágrimas musicais...2006. PL 17:09
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sábado, fevereiro 18, 2006The Brits 06: foi já na última quarta que decorreram os Brit Awards, os maoires prémios da música inglesa. Nada de comparações com os Grammy's porque, acreditem, nos Brit's não há automatismos, efeitos especiais ou falsos moralismos. Nas mesas dos nomeados há álcool, muito álcool, e boa disposição que chegue para se criticar ou até mandar "bocas" ao microfone, bem alto, para todos ouvirem. Foi o que aconteceu com James Blunt, que incrivelmente venceu dois dos prémios, Pop Act e British Male Solo Act, quando recebeu este último prémio fez o artista questão de referir, depois de afirmar o orgulho em ser inglês, o seguinte: “I’ve been accused many times of singing like a girl. Maybe I should try singing like a man.”. Cris Martin fez questão de ironizar o ódio geral a James Blunt e, quando subiu ao palco para receber o prémio de melhor álbum do ano para X &Y, atirou: “Support him! He’s British.”. Coldplay ganharam ainda o prémio de melhor single para "Speed of Sound". Os grandes vencedores foram mesmo os Kaiser Chiefs que vencerem, com todo o mérito, em 3 categorias: British Rock, British Live Act e British Group. Os Artic Monkeys, a nova vaga do rock'n'roll, ganharam o prémio revelação. Arcade Fire, com muita pena aqui deste Indulgente, não levaram nada para casa, o que até pode ser compreensível porque nas categorias para que estavam nomeados a concorrência era esmagadora. Concorreram com U2, Green Day, Kanye West e até Jack Johnson (o mais outsider dos vencedores). Tudo nomes pequeninos da indústria... A lista dos premiados e nomeados está disponível aqui. Saudações.
Alexandre 22:11
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quarta-feira, fevereiro 15, 2006O (re)despertar: no passado dia 2 deste mês aqui a tasca virtual fez nada mais nada menos que 2 anos de existência. Dois anos passaram desde que, numa das minhas noites insanas passadas a ouvir música e a ler uns blogs novos que iam surgindo, surgiu-me a ideia de construir aqui o estaminé Indulgentes. Não foi nada fácil e ainda hoje não sei bem como é que pus isto com um aspecto tão cool (modéstia à parte). A verdade é que a vontade de desabafar sobre a melhor das sete artes ia-me consumindo e tal acontecia também com o co-fundador deste blog o Indulgente Joni! Fomos, assim, escrevinhando sobre muitas e variadas músicas. Muitas dessas músicas e discos, agora que releio alguns posts escritos pouco depois da concepção deste espaço, continuam a acompanhar-me e sei que até houve quem descobrisse esses sons nesta tasca, pois, acreditem ou não, há cerca de meia-dúzia de pessoas (não mais) que foi acompanhando o seu crescimento (em tamanho apenas). Já em 2004 o Joni falava, por exemplo, de Sondre Lerche, de Wilco, The Thrills ou Zero 7 (e muitos mais) e se dabatia com a falta de uma O.S.T. para a vida, ideia que eu sempre corroborei. Eu falava dos Fountains of Wayne, dos Postal Service, dos Belle and Sebastian ( e muitos outros também). E recordar é viver, já dizia o Dalai Lama... O que eu quero dizer é que naquela altura devorava música, devorava os grandes programas de rádio da 3, lia revistas internacionais e sites de labels internacionais. Agora é mais complicado, não há tempo para tudo, mas, isso não quer dizer que a tasca vá à falência! Não! Nada disso! Agora os tempos são outros é verdade, mas há mais Indulgentes e continua a haver um amor quase incondicional à música, portanto as actualizações (embora menos frequentes que a debitação musical dos primórdios do Indulgentes) vão continuar! Continuo a achar que este é um blog diferente porque sempre tentamos que não fosse hermético, que não tivesse isolado do exterior, que a música, como qualquer arte, é isso mesmo: uma reconstrução da realidade de acordo com as nossas próprias vivências. Continuo a achar que é um blog bonito. Continuo a achar que tem uma razão de existir e continuo a achar que as pessoas que nele escrevem, à excepção de mim, escrevem bem que se fartam sobre os assuntos em questão! Por tudo isto o Indulgentes vai continuar a ser actualizado mesmo que a meia dúzia de pessoas que lia isto (até no Uruguai ou na Alemanha como podem constatar no medidor de visitas!) já não esteja minimamente interessada em pousar aqui os respectivos olhos. Ao contrário de outras experiências "dentífricas" fui tentando sempre escrever aqui de uma forma mais séria e menos non-sense, claro que com certos laivos de estupidez. Penso até que escrevi alguns textitos um pouco para o "pesado" porque a tal realidade envolvente assim o pedia.Sendo assim, não percam os próximos capítulos. O próximo que escrever vai dissertar sobre uma hipotética revolução no mundo dos discos que poria uma ordem na total desorganização e promiscuidade no mercado da música underground. Ou não... Saudações calorosas e musicais! Alexandre 00:01
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sexta-feira, fevereiro 10, 2006Ok, posso ainda não ter feito a lista dos melhores de 2005 (que está para breve!), mas posso desde já adiantar que os Primordial fazem parte dessa elite que se deu ao luxo de lançar álbuns que ficam para a posterioridade, com o mais recente "The Gathering Wilderness".Farto de me queixar que as boas bandas nunca vêm a Portugal, venho a saber que estes mesmo Primordial tocam já na próxima semana, dia 16 de Fevereiro, no Hard Club em Gaia. A abertura está a cargo dos Geasa também da Irlanda, e do nacionais The Ransack. 12€ pré-venda, 15€ no local. Imperdível, e uma vontade enorme de não ir sozinho. |